Seja bem-vindo - Quinta-Feira, 21 de Setembro de 2017 - 12:47

Desatadora move Multidões

 

Nossa Senhora Desatadora dos Nós move multidões.

- Santuário atrai devotos de todo o País e chega a receber 10 mil fieis num só dia.

- Devotos rezam pela solução de problemas no Santuário Nacional da Nossa Senhora Desatadora de Nós, fundado em 1991 no Jardim Santa Genebra. 

 

Transcrição da Matéria publicada em jornal:

Uma multidão vinda de todo o País busca um Santuário de Campinas para tentar desatar, com muita fé e devoção, os nós da vida. Em uma semana o Santuário Nacional da Nossa Senhora Desatadora dos Nós chegar receber 22 mil fiéis, 10 mil apenas nos Domingos. Eles chegam em caravanas ao templo, no início uma pequena capela erguida por iniciativa do francês Denis Bourgerie, piloto de avião que deixou a carreira pela evangelização. A Santa recentemente se tornou a “protetora” da presidente Dilma, depois dela ganhar uma imagem de presente.

 

Buscas para desatar os nós da vida.

Fé. Confiança absoluta em algo ou em alguém sem qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação. O significado está no dicionário, mas a crença em algo não parece ser capaz de ser resumida em apenas uma frase.

Independentemente da classe social, profissão ou raça de um ser humano, a devoção cultivada por uma pessoa não é tão fácil de explicar ou de entender. Em Campinas, um exemplo diário de tudo isso é o Santuário Nacional da Nossa Senhora Desatadora dos Nós. Com sede na cidade desde 1991, o local é um desses fenômenos religiosos difíceis de decifrar e onde se pratica a fé avivada e explícita.

O local chega a receber 22 mil pessoas em uma semana. Só aos domingos são 10 mil fiéis de todo oBrasil que chegam em caravanas em busca de desatar os nós de suas próprias vidas. Até a presidente Dilma Rousseff (PT) — uma das mulheres mais influentes do mundo — adotou recentemente a imagem da Desatadora como seu novo “xodó”.

Ela ganhou de Emília Almeida, presidente do Instituto Mauá, entidade ligada ao governo baiano, uma estátua feita pelo artesão Rosalvo Santana, que ganhou destaque no livro Santeiros da Bahia – Arte Popular e Devoção.

A santa é associada à solução de problemas difíceis e, no caso de Dilma, “carrega” a missão de proteger o governo de todo o mal e livrar a Esplanada das aflições do cotidiano. Dilma chegou a acomodar a imagem ao lado da sua mesa de trabalho, no Palácio do Planalto, mas, com medo de que caísse, a presidenta instalou a nova companheira no Palácio da Alvorada, onde mora.

 

A História:

Foi a crença que impulsionou o então piloto francês Denis Bourgerie a desistir da carreira para se dedicar à evangelização. Ao lado da esposa, a médica Suzel A. Frem Bourgerie, decidiu construiruma capela no bairro Santa Genebra, introduzindo na cidade a devoção pela santa Desatadora dos Nós. Bourgerie prefere dizer que não foi ele quem idealizou o santuário. “Nossa Senhora me tirou da aviação para trabalhar para ela. Eu não ajudava ninguém, era uma profissão vazia e oca.”

Sua esposa disse que não conhecia a devoção, mas que foi tocada pela experiência de seu companheiro. “Fiquei profundamente tocada e decidimos construir a capela.” De acordo com Bourgerie, Campinas foi escolhida porque Suzel já morava na cidade. Quando as obras foram finalizadas, em 1991, o número de fiéis já era grande. A notícia das missas se espalhou e o casal lembra que até a comunhão era feita no jardim e na rua. A pequena capela só comportava 250 pessoas.

Com o tempo, a construção de um santuário maior se tornou necessária e, hoje, ele faz parte da rota de peregrinação mariana do Brasil e tem capacidade para 2,5 mil pessoas. Os responsáveis não têm ideia exata de quantas pessoas recebem por semana, mas a média de ônibus por final de semana, as chamadas caravanas, é de 47 veículos. São pessoas do Brasil todo, como Rio de Janeiro e Mato Grosso. O santuário também recebeu fiéis da França, do Canadá e da África.

“Quem não tem um nó para ser desatado? A própria presidente tem um monte a cada minuto”, comentou Suzel. Para o padre Pascoal Brazilino Canoas, da igreja Nossa Senhora de Lourdes, no Guanabara, as pessoas vão ao santuário em busca de Deus. “Vem gente de toda parte. É um povo que necessita de atenção, evangelização. Tem gente que chega ao santuário carente de tudo e o homem não foi feito para isso, para ser triste, pesado. O homem foi feito para ser livre.”

 

Os Voluntários:

Bourgerie reconhece as carências e convive com diferentes histórias de fé. No entanto, diz, as mais marcantes são as dos 500 servos (voluntários).

“Todos receberam uma graça e em forma de agradecimento se tornaram servos”. É o caso do comerciante Paulo Sérgio Mantovani, voluntário desde 2000. Ele começou a frequentar o santuário após se separar. Abalado com a distância dos três filhos, não gosta de lembrar da época, que considera como o fundo do poço. “Estava acabado. Consegui me reerguer neste lugar. Ser voluntário é a forma de agradecimento.”

 

Sentimentos são expostos durante as celebrações:

A reportagem do Correio acompanhou uma das missas do Santuário Nacional da Nossa Senhora Desatadora dos Nós, em Campinas, na última semana. O clima do local pode ser resumido em uma única palavra: busca. As pessoas se ajoelham em fervor, oram e cantam os louvores com intensidade que impressiona. Mas não há histeria. Não há mistérios. A transparência dos sentimentos fica exposta durante toda a duração das celebrações.

Ao lado do altar, as pessoas deixam os seus pedidos à santa e acendem velas por devoção. A igreja, sempre com a capacidade no limite, se transforma em espaço de afeição, adoração, piedade, religião, veneração e adoração.

“A comparação entre os nós que a Nossa Senhora desata e os problemas que carregamos anos e anos que custam a desatar é extraordinário”, comenta a comerciante Clara Jandira Fernandes, que frequenta semanalmente as missas do santuário.

A cabeleireira Eliane Andrade Viana vem para Campinas de Hortolândia para demonstrar sua devoção à santa há dois anos. “Sinto uma paz que eu não consigo sentir em nenhum outro lugar. Tudo que eu peço, ela atende”. Os devotos e fiéis ouvidos pela reportagem são categóricos em afirmar que são prova do milagre da santa.

No dia em que a reportagem esteve no local, a funcionária pública Sandra Regina Cardoso foi ao santuário apenas para agradecer a uma graça atendida em sua vida. “A minha família é uma prova de milagre. Na minha família, já tivemos acidente de moto gravíssimo que a santa livrou de uma cadeira de rodas. Um bebê que nasceu prematuro com 26 semanas e pesando 850 gramas que a Nossa Senhora intercedeu pela vida e hoje a criança é um garoto saudável de 8 anos. Foram muitas graças e eu agradeço sempre”, conta.

 

Saiba mais:

A devoção à Nossa Senhora Desatadora dos Nós surgiu em 1700, na cidade de Ausburgo, na Alemanha. Um pintor desconhecido pintou a Virgem Maria inspirado na meditação feita por São Irineu, bispo de Lyon e mártir no ano 202, que, à luz do paralelismo escrito por São Paulo sobre Adão-Cristo, criou a imagem de Eva-Maria, dizendo: “Eva, por sua desobediência, atou o nó da desgraça para o gênero humano; ao contrário, Maria, por sua obediência, o desatou!” Este quadro foi então colocado na pequena igreja de São Peter am Perlack, em Ausburgo, e ali está até hoje nesta igreja que é cuidada pelos jesuítas locais. Ali foi onde tudo começou, fonte desta fé. Não se trata de uma aparição da Virgem Maria a alguém, como aconteceu em Lourdes, ou em Fátima.

 

Fontes de pesquisa:

  • Matéria publicada pelo Jornal Correio Popular, 09/09/2012.
  • Site de Notícias: Rac.com.br.

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