Seja bem-vindo - Sexta-Feira, 22 de Setembro de 2017 - 15:53

A infidelidade feminina.


Os mitos e as verdades da infidelidade feminina.

Procedamos a uma semelhante análise da infidelidade feminina. Mas, antes de tudo, reafirmemos o fato deste comportamento. Porque existe um mito da virtude feminina que é mantido contra a evidencia, por homens que preferem se ocultar à verdade. Esta cegueira é, alias, parte integrante do complexo de machismo.

A) O fato de infidelidade feminina: Este fato conta, entre suas regras fundamentais que, quanto mais um homem engana sua mulher, mais ele é homem; em contrapartida ele se considera desonrado, desclassificado, desprezado, se a mulher o engana. Pois, por que o enganaria ela a não ser porque está insatisfeita? E por que estaria ela insatisfeita a não ser pelo fato dele não cumprir sua tarefa de homem de maneira satisfatória? Quando uma mulher é infiel a seu marido, este é, de imediato, classificado por seus amigos de “chifrudo”, isto é, imbecil ou incompetente. Não sendo nenhum destes dois qualitativos particularmente elogioso, todos os homens gostam de pensar que não lhes são absolutamente atribuíveis. É a razão pela qual eles desejam, a qualquer preço, e por vezes contra evidencias óbvias, que suas mulheres sejam baluartes de fidelidade. Se bem que não seja raro ver maridos enganados, visto e sabido por toda a sociedade, persistem em ignorar este fato de que não querem tomar consciência. Preferem sua tranquila cegueira à cruel realidade. É assim que numa sociedade patriarcal se prolonga em mistificar a mulher e a lhe atribuir, a priori, um brevê de fidelidade.

Como deixar de evocar aqui o dito popular que Jorge Amado apontava num para-choque de caminhão da Bahia: “Não se pode dormir com todas as mulheres do mundo, mas deve-se fazer um esforço! ” Assim pensam os machos que não percebem que outorgam, por este princípio mesmo, o privilégio da infidelidade à sua própria esposa. Porque, se “todas as mulheres do mundo”, podem ser objeto de cobiça e conquista, em virtude de qual miraculosa exceção a sua escaparia a tal destino? E é assim que é “bem preso quem acreditava prender” como diz o provérbio. Feridos pela infidelidade, eles próprios sofrem, a maior parte das vezes, o tratamento que impuseram a outrem.  E sobre sua cega crescem magníficos chifres. Françoise Sagan, que tem uma certa competência na matéria, notou de maneira sarcástica como o homem se encerra no mito de invulnerabilidade de sua mulher; na boca de uma de suas heroínas exasperadas ela coloca a seguinte observação: “Os homens são inconscientes, pensava Paule sem amargura. “Tenho tal confiança em ti, tal confiança, que eu posso te enganar, te deixar sozinha, não sendo possível que o contrário ocorra. É sublime” (11). O sarcasmo poderia ser aplicado a bem maior número de maridos do que se poderia pensar. Igualmente, se bem que possa parecer chocante, é necessário acabar com este jogo tranquilizador que oculta a realidade sob o cômodo mito da fidelidade geral das mulheres. Como os homens, as mulheres enganam, seu cônjuge. E, por menor que seja o número de mulheres infiéis, é maior do que se pensa. É fato inegável que a “infidelidade conjugal é mais rara na mulher do que no homem. Nenhum sério psicólogo jamais afirmou o contrário” (12). Mas creio, como expliquei mais acima, que em nosso meio pode-se afirmar que por volta de 40% das mulheres são infiéis, sem nos desviarmos da verdade. E não falo aqui senão do adultério consumado. Se se incluísse também a infidelidade mental, a que se deseja sem que haja consumação, a que se cultiva interiormente, creio que seria necessário elevar a proporção para perto de 70%. Sem pessimismo! Como, então, explicar esta situação?

B) As causas da infidelidade feminina: “O feminismo”: Em primeiro lugar é preciso mencionar o que pode ser considerado como uma causa indireta deste estado de coisas: o movimento feminista. Os resquícios de patriarcado que existem ainda entre nós nem sempre permitem aos homens se darem conta de que entre a mulher de ontem e a de hoje existe um meio século de rápida evolução social.

Houve, no decorrer desta época, uma indubitável evolução da mulher, que saiu das trincheiras da cozinha para tomar seu lugar nos negócios do mundo. Eis um fato diante do qual nós devemos inclinar sem alimentar sentimentos de nostalgia. Porque esta libertação, no seu conjunto e malgrado os excessos, é um processo da civilização. Entre os traços característicos de nossa época, João XXIII sublinhava na Pacem in Terris: “Em segundo lugar, fato por demais conhecido do ingresso da mulher na vida pública: mais acentuado, talvez, em povos da civilização cristã; mais tardio, mas já em escala considerável em povos de outra tradição e cultura. Torna-se a mulher cada vez mais cônscia da própria dignidade humana, não sofre mais ser tratada como um, objeto ou instrumento, reivindica direitos e deveres consentâneos com sua dignidade de pessoa, tanto na vida familiar como na vida social” (13).

Entre as jovens e as avós há um enorme abismo; ambas pertencem a épocas diferentes, o que inúmeros maridos se recusam a perceber. Eles continuam a tratar sua mulher como se ela viesse à maneira de sua mãe. Daí surgem numerosos conflitos que suscitam ocasiões em que a infidelidade da jovem esposa será posta à prova duramente. É para que os homens compreendam este fato e se adaptem à mentalidade da mulher moderna, evitando assim perigosas escorregadias, que insistimos nisso.

Há muito tempo atrás, no início do século, Roger Martin du Gard podia escrever numa frase brutal a lapidar que resume o lugar então ocupado pela mulher: “As mulheres: seres inferiores, irremediavelmente” (14). Mulheres e meninas viviam numa espécie de claustro perpétuo; apagadas, no interior mesmo do lar, seu destino era a submissão irrevogável, a obediência ao senhor; único horizonte: os trabalhos domésticos.

Mounier mostrou como esta situação preparava uma verdadeira revolução social (nós a estamos vivendo) em que o leitmotiv seria: a mulher é também uma pessoa. Reiteremos aqui este importante parágrafo, redigido com a habitual acuidade que caracteriza o grande filósofo personalista, por a descrição que aí encontramos corresponde às categorias que, a despeito de tudo, muitos homens observam ainda em nossos dias: “A deformação política que grasse em nossa época não somente desvalorizou os problemas da vida privada como também falseou toda perspectiva a respeito. A opinião pública me parece colocar-se problemas apenas de homens em que somente homens têm a palavra. Algumas centenas de milhares de operários, em cada país, transformaram a história porque tomaram consciência de sua opressão. Um proletariado espiritual cem vezes mais numeroso, o da mulher, permanece sem que ninguém se espante, fora da história. Sua situação moral não é, assim, nada invejável, malgrado as mais brilhantes aparências. Esta impossibilidade para a pessoas de nascer para a sua vida própria, que, segundo nos define o proletariado, mais essencialmente ainda que a miséria material, é o destino de quase todas as mulheres, ricas e pobres, burguesas, operárias e camponesas. Meninas, povoou-se seu mundo de mistérios, terrores, tabus a elas reservados. Depois, sobre este universo angustiante que não as abandonará mais, correu-se de uma vez por todas, a frágil cortina de uma prisão florida, mas fechada, da falsa feminilidade. A maioria não encontrará jamais a porta de saída. Desde este momento elas vivem em imaginação, não como o menino, uma vida de conquistas, uma vida aberta, mas um destino de vencidas, fechado, fora de jogada. Elas são instaladas na submissão: não aquela que pode coroar, para além da pessoa, o dom de si por um ser livre, mas aquela que é, em detrimento da pessoa, renúncia antecipada de sua vocação espiritual” (15).

Semelhante situação não poderia se perpetuar numa época em que a pessoa humana, se tornando mais e mais confiante de sua dignidade e de seus direitos, exigia o respeito absoluto para além de todas as contingências que podiam rodear seu ser. As mulheres marcharam em fileiras e, pouco a pouco, conseguiram inverter a situação. Deu-se a libertação feminina e, como o observa Noonan em excelente síntese (16), quatro pontos capitais marcaram a evolução do status feminino. No plano econômico, de dependentes que eram, um grande número de mulheres de tornou independente. Ganham seu salário, vivem de seu trabalho e mesmo o regime de comunhão de bens está em vias de ser substituído pelo de separação de bens. No plano político, com o advento do sistema democrático, elas obtiveram o exercício do direito de voto e mesmo o de figurar entre os eventuais candidatos. Para avaliar o caminho percorrido, basta avaliar que num país tão conservador como a Índia, uma mulher assumiu o posto de chefe da nação! Terceiro fato: o crescimento intelectual. A mulher de hoje tem acesso, da mesma forma que o rapaz se este for seu desejo, à educação superior. A presença feminina na Universidade, suspeita há apenas 25 anos, é hoje em dia, banal. E as carreiras liberais lhe estão todas à disposição, desde as Escolas de Administração até às Faculdades de Engenharia. Voltaremos a este fato que adquire grande importância em face do casamento. Enfim quarto fato de mudança no plano social assim como no plano jurídico, o divórcio está cada vez mais aceito. Outrora a mulher era literalmente prisioneira de seu marido. Atualmente em vários países ela pode se divorciar e recomeçar sua vida. Juridicamente os liamos matrimoniais são solúveis. E o que antes era intolerável escândalo se tornou coisa corrente e admitida. O ostracismo imposto aos divorciados é coisa do passado. E, nas sociedades mais conservadoras em que a legislação não reconhece ainda o divórcio, a separação toma-lhe o lugar; torna-se cada vez mais frequente, e uma jovem mulher não hesita mais a ela recorrer. Também a sociedade começa a aceitar este estado de coisas. E pode-se crer que, apesar de todas as legítimas resistências, rumamos fatalmente – queiramos ou não – para a instituição do divórcio em todos os países (17). Não discuto aqui o mérito da questão, constato, simplesmente, um fato jurídico e social que modifica totalmente a situação e o modo de pensar da mulher moderna.

Mas, se em seu todo o incoercível movimento feminista conduziu à libertação da mulher, engendrou, no entanto, numerosos desvios. Um deles consiste num raciocínio simplista e ridículo que alega: o que o homem tem o direito de fazer, a mulher também tem. Ora, o home é infiel, logo, a mulher pode sê-lo. (Este sofisma grosseiro é dos mais difundidos hoje em dia). Enquanto que o raciocínio justo seria: se a mulher não tem o direito de ser infiel, muito menos o homem. Mas prefere-se o sofisma anterior porque encoraja todas as facilidades e justifica todas as besteiras. E as mulheres, sobre o pretexto de se elevar à altura dos homens, começam a reivindicar o direito de se comportarem como eles. E é então que a infidelidade feminina se multiplica. Como escreve Jean Cau “em nome da liberdade de costumes conquistada, as mulheres transformam seu corpo em coisa e em armadilha de desejo e confundem provocação com libertação”. (18).

2) O recuo das censuras morais: Esta atitude é tanto mais fácil quanto uma outra modificação de importância agita nosso mundo. Pode-se dizer até que, até nossa época, o Ocidente vivia à sombra da moral cristã. Esta, rígida em matéria sexual, era igualmente formal. Tanto o permitido quanto o proibido era enunciado claramente. Além disso, estes critérios morais, faziam parte de critérios sócias. Uma jovem da época não imaginaria jamais contestar o fundamente da virgindade, por exemplo. E, de um golpe, para uma grande confusão das gerações antigas, eis que este edifício de censuras cai por terra.

Este fato é tão evidente que o Concílio Vaticano II o inscreveu no número de suas considerações. Falando das mudanças psicológicas, morais, religiosas nota o seguinte: “A mudança da mentalidade e de estruturas coloca em questão frequentemente os valores recebidos, particularmente junto dos jovens: com frequência não suportam sua situação; bem mais, a inquietação os torna revoltados.... na verdade, as instituições, as leis, os modos de pensar e agir legados pelos antepassados não parecem sempre bem adaptados ao estado atual das coisas. Vem daí uma perturbação grave no comportamento e nas normas de conduta (19).

Este desmoronamento dos antigos quadros morais acarreta uma desorientação geral. E o casamento é uma das instituições mais prejudicadas. Sinal desta mudança a facilidade com a qual não somente a mulher se presta à infidelidade como faz dela um pendão de glória.

3) A Supervalorização da sexualidade: No meio de todo este alarido a mulher moderna sofre nova mistificação. Outrora o sexo sendo tabu, ela era a imagem da pureza. Hoje, a pureza tendo se tornado tabu, faz-se dela a encarnação do gozo. A força de se ouvir dizer que ela dever ser sexy, à força de ser solicitada pela moda e pela publicidade a expor sempre mais seu corpo, ela termina por idealizar a sexualidade e por ver no seu exercício o auge de sua feminilidade. O triunfante erotismo de nossa época a contamina: ela aceita, por fim, ser instrumento de gozo coletivo. No passado o homem conquistava a mulher, agora, sela se oferece sem mais, convencida que está de que será na exploração máxima de seu corpo de que ela se realizará na íntegra. Nesta perspectiva, todos os recursos são válidos, inclusive a prática da poliandra, sucessiva ou simultânea, à margem da vida conjugal. Ela é novamente vítima, mas desta vez se vinga!

4) A insatisfação sexual: É fato notório que raramente a infidelidade feminina é gratuita. O home é mais espontaneamente infiel. Sua constituição psicobiologia faz com que ele deva praticar uma séria disciplina interior para permanecer fiel. A mulher, pelo contrário, tende antes para a fidelidade. Mais vulnerável, mais engajada também, ela prefere geralmente a segurança da fidelidade à insegurança das aventuras ou de uma ligação. Igualmente, se uma esposa encontra em seu casamento plena satisfação sexual, não experimenta, habitualmente, dificuldade alguma em permanecer fiel. Pelo contrário, a fidelidade a faz feliz.

Infelizmente, a harmonia sexual – que deveria ser regra – é quase exceção. Não vamos retomar aqui as causas deste estado de coisas. No entanto, observemos novamente que a ignorância masculina, adicionada ao machismo e à incapacidade de exercer domínio sobre si mesmo estão, o mais frequentemente, na origem do desajuste feminino. Quando este desajuste, depois de alguns anos de tentativas por vezes heroicas e pacientes, se transformam em exasperação, a mulher frustrada incessantemente, exacerbada por repetidos fracassos e que parecem nunca ter fim, é sujeita à vulnerabilidade. Se, de um lado o marido satisfeito e desatento, sem maturidade erótica, ela encontra alguém que saiba falar a seu coração e despertar seu desejo, será uma presa fácil para a infidelidade. O adultério praticado não por malícia ou predisposição de vingança, lhe parecerá, então, o caminho a tomar para conhecer a alegria carnal que o casamento lhe recusa. E se, de fato, ela o encontra, sofrerá todas as penas do mundo para se desligar da infidelidade, para onde a impeliu seu próprio marido.

5) A insatisfação afetiva: Mas, mais ainda que a frustação sexual, e mais que todas a pressões sociais que ela sofre, o que compromete a infidelidade feminina é a insatisfação afetiva.

A mulher, pode-se dizer, vive do coração. Os bens exteriores lhe são importantes, sem dúvida: dinheiro, casa, nível social, reputação, mas, ao contrário do homem, isso tudo não lhe basta. A mulher tem, antes de mais nada, necessidade de ternura.

Por infelicidade, a ternura a longo prazo não é um dos componentes da psicologia masculina, o home se entrincheira facilmente atrás de algumas manifestações estereotipadas que ele distribui distraidamente a sua mulher, como concessão ou dever inevitável. Ora, a ternura deve brotar espontaneamente da palavra, do gesto, do olhar, e quando ela não reina intensamente num casal, a mulher se sente ignorada, rejeitada, inútil.

O que fará ela então a não ser procurar se redescobrir útil, reconhecida, desejada? Ela o fará inconscientemente, sem querer enganar o marido, sem mesmo perceber que desliza para a infidelidade. Ela só deseja uma coisa: preencher o vazio em seu coração que a deixa sempre desiludida. Ela se encontra, neste momento, em estado de disponibilidade; e se o acaso coloca em seu caminho um homem que saiba ser terno e preencher este vazio – que ela sente aterrorizador – de sua alma, poderá ocorrer perfeitamente que ela queira também lhe dar seu corpo. Surge então a infidelidade, repentina, fulgurante e profunda, porque o coração foi tomando (20).

É para evitar semelhante destino à esposa que o home deve se convencer de que jamais, ou quase nunca, poderá manter sua esposa em “estado de fidelidade” se não praticar a arte de namorar. O casamento não acaba com o namoro; pelo contrário, ele o institui. O marido que não quer expor sua mulher à tentação da infidelidade, deve satisfaze-la afetivamente fazendo-se tão terno quanto possível.

6) A superioridade cultural: As causas enumeradas até aqui se acrescentam uma outra que é praticamente a consequência da evolução da qual falamos. Até nossa época a mulher estava limitada ao papel de doméstica. O homem a dominava do alto de sua intelectualidade que podia não ser muito grande, mas que, de qualquer forma, era superior à de sua esposa.

Eis que o século XX descobre que a mulher deve ser integrada na sociedade e que, para isto, deve estudar. Ela ascende nos estudos e adquire uma boa cultura. Como, por outro lado, ela dispõe de certos lazeres e conserva uma inquietude intelectual que não se encontra na maior parte dos homens, uma vez seus estudos completados, ela continua a se cultiva. O homem, por seu lado, absorvido pelas tarefas que o prendem, lutando duramente no mundo dos negócios para enfrentar uma concorrência que se faz cada vez mais dura, não tem mais nem o lazer nem o gosto pelas coisas do espírito. Pouco a pouco ele se encerra no mundo dos negócios e da política perdendo pé no mundo cultural. Uma anquilose da inteligência se apossa dele de tal maneira que a esposa, que continua a evoluir, termina por ultrapassá-lo. Se ela desenvolve um certo senso crítico, o que é inevitável nestas circunstâncias, termina por sentir que seu marido pode ser muito bom, mas não é muito inteligente.

Um certo desprezo toma lugar à admiração inicial. Ora, é fato notório que o amor, sem a admiração que deve normalmente acompanha-lo, nada dura. Quando a esposa não pode mais admirar sinceramente seu marido, é válido se prever que ela vai em busca de alguém para admirar. Se ela, então, se depara com um homem de inteligência brilhante, vasta cultura, sólido conteúdo intelectual, ela se ligará a ele. O marido perderá então o pouco interesse que representava ainda, devido ao desnível intelectual que o separa da esposa.

7) Casamento muito precoce: Enfim, entre as causas que impelem a esposa ao desrespeito à fidelidade conjugal, existe o fato de que numerosos casamentos se fazem numa época em que a mulher não passa de uma adolescente. Sem ter vivido ela se casa. A intransigência nesta matéria é absoluta, a exclusividade é imperativa. Apenas adolescente, a mulher já é prisioneira. Esgotada, fatigada, decepcionada, também com uma vontade bem natural de viver um pouco, de ver algo deste universo turbulento e sedutor da juventude, ela se engaja então num ritmo de vida, em círculos de amigos nos quais o marido tem má vontade de segui-la. A jovem esposa, condenada a uma fidelidade precoce, cederá facilmente a tentação de viver a pluralidade afetiva que não conheceu no momento da adolescência. Cansada já de seu marido, ela experimentará a necessidade de se variar. A despeito de todos os princípios que possa ter, mulher alguma jamais variou impunemente, sobretudo quando está irritada.... Diz-se muito bem: “mulher cansada, mulher fácil...” (21).


Referência:
Texto: Amor e Liberdade - Padre Charbonneau. pág. 2017 a 232.
Santuário Nossa Senhora Desatadora dos Nós.


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